sábado, 21 de junho de 2014

Fogueiras, pirotecnias e balões preocupam ambientalistas nos festejos juninos

Durante o mês de junho de cada ano, principalmente nos estados do Nordeste brasileiro, as festas juninas, que celebram Santo Antônio, São João e São Pedro, tradicionalmente são comemoradas com o acendimento de fogueiras, além das comidas típicas, do forró, dos fogos de artifícios (pirotecnias) e dos balões.

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As fogueiras são tradicionais nas festas
juninas no Nordeste do Brasil.
Foto: Internet.
As fogueiras
As fogueiras têm origem numa lenda cristã, a qual afirma que houve um acordo entre as primas Isabel e Maria, mãe de Jesus. Para avisar a Maria o nascimento de São João Batista, Isabel acenderia uma fogueira em cima de um morro, para Maria poder ajudá-la no puerpério. Assim, iniciou-se o costume de acender fogueiras na noite do dia 23 de junho, em comemoração ao nascimento do santo.

De tradição milenar, as fogueiras passaram a ser consideradas um problema ambiental e de saúde pública, considerando que elas favorecem o desmatamento, poluem o meio ambiente e trazem riscos à população. Durante o período das festas juninas, as fogueiras aumentam em 50% as internações hospitalares por causa de problemas respiratórios, além de dificultar o atendimento de emergências, uma vez que as ambulâncias não conseguem passar por algumas ruas, por estarem repletas de fogueiras interrompendo o trânsito.

Problema de saúde pública
De fato é nessa época que crianças com problemas respiratórios têm crises que preocupam os parentes e os órgãos de saúde pública; além de aumentar a incidência de casos de queimaduras em cerca de 70%. Para se ter uma ideia, em 2011, a Paraíba foi o segundo Estado do Nordeste em internações por fogos de artifício durante as comemorações do Santo Antônio. Já em 2012, foram atendidos 217 casos de queimaduras nos Hospitais de Emergência e Trauma de João Pessoa e de Campina Grande. Em 2013, 97 pessoas foram atendidas só no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.

Problema econômico
Outro ponto importante das fogueiras é que a lenha é um recurso ambiental utilizado em padarias e demais empreendimentos que usam essa matriz energética. É um recurso que tem seu valor econômico, que deveria ser melhor aproveitado e não ser queimada à toa. Acender fogueiras é também desperdício de dinheiro. 

Cuidados
Caso ainda seja sua intenção acender fogueira nestas festas juninas, é bom lembrar que só pode ser usada lenha de espécies exóticas, comprovadamente originária de florestas plantadas, como a algaroba e o eucalipto, mesmo assim, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA) deve autorizar a venda. O uso de madeira nativa, originária da Mata Atlântica e da Caatinga ou outra formação vegetal é proibido. É o que diz a Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), em seu "art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais. Pena: reclusão de um a dois anos e multa". A multa estipulada é de R$ 300,00 (trezentos reais) por metro cúbico ou fração de lenha apreendida.

Outras recomendações devem ser seguidas:
  • Não acenda fogueira a menos de 200 metros de locais de visitação coletiva, como bares, escolas, hospitais e supermercados.
  • Não acenda fogueira sobre asfalto, sob fiação elétrica e árvores de ornamentação pública.
  • Compre lenha apenas de fornecedores cadastrados na Superintendência de Administração do Meio Ambiente - SUDEMA.
  • Dê preferência, ao fazer fogueiras, em restos de podas de árvores frutíferas. Não alimente o comércio ilegal de lenha.
  • Caso tenha conhecimento de que algum vizinho tenha problemas respiratórios, seja solidário e não acenda fogueira.
  • Tome cuidado dobrado com as crianças. Não compre ou venda fogos de artifício ou de estampido para menores de 18 anos. Isto é crime, tipificado no artigo 244, do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei nº 8.069/1990).
  • Tampouco perca de vista a garotada brincando próxima às fogueiras. Acidentes com fogo são sempre imprevisíveis e podem provocar mutilações de dedos e mãos, além de cegueira e causar enormes dores.
Pirotecnia
A pirotecnia provoca taquicardia, tremores, falta de ar, náuseas, aturdimento, perda de controle, medo e até mortes nos animais. Esses efeitos da pirotecnia nos animais são diversos e de diferente intensidade e gravidade. Os cachorros muitas vezes sentem temor e, ao fugir, podem ser vítimas de acidentes ou perderem-se.

 
A pirotecnia traz muitos danos aos animais. Foto: Internet.
 
As aves reagem às explosões com taquicardias, que podem provocar as suas mortes; os gatos muitas vezes correm atrás dos explosivos por simples curiosidade podendo ingeri-los, perder a vista ou machucarem-se; os insetos e outros animais pequenos pouco podem fazer para não serem machucados, a pirotecnia é para eles um explosivo de grande tamanho.

Balões
Grupo soltando um balão em uma festa junina.
Foto: Internet.
Os problemas decorrentes da soltura de balões são bens conhecidos. Quando eles caem, podem causar grandes incêndios nas florestas, matam as plantas, os animais e prejudicam o solo do local. E  o problema não só acontece distante das casa. Os balões podem enroscar nos fios dos postes, provocar curto-circuito e, dependendo da intensidade, pode provocar queda de cabos e acidentes com as pessoas, assim como interrupção do fornecimento de energia. Se ele cair nas faixas de segurança das linhas de transmissão, é bem provável que aconteça um incêndio e, consequentemente, o desligamento das linhas, os já famosos apagões.

Em 2008, foram contabilizadas 121 ocorrências de interrupção de energia por causa de balões, a maior parte nos meses de junho e julho.

Por isto, nesses festejos juninos, pense duas vezes antes de soltar seus fogos e balões e acender suas fogueiras.

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