sábado, 27 de dezembro de 2008

Cientistas pedem fim de 'oligarquia' no CNPq

Manifesto assinado por 182 cientistas de várias instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como 'oligarquia', ignorando as necessidades de pesquisadores fora da 'elite' acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada à Deputada Federal Maria do Carmo Lara, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia (C&T), e encaminhada a vários políticos, incluindo o Presidente Lula.

Intitulado "Manifesto à Comunidade e aos Órgãos de C&T", sua principal crítica é com relação ao uso do número de trabalhos publicados como principal, e às vezes único, critério de avaliação de mérito do cientista, considerando que as condições de trabalho não são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de avaliação deveriam ser diferenciados. De acordo com o manifesto, os atuais critérios adotados pelo CNPq favorecem apenas as grandes universidades.

O descontentamento com os critérios adotados pelo CNPq e CAPES para a avaliação dos cientistas e dos cursos de pós-graduação é bastante antigo. Em 1995, o tema foi detalhadamente discutido na revista Scientific American, por W.W. Gibbs. Em 1996, o 'Seminário Discussão da Pós-Graduação no Brasil', em Brasília, discutia a necessidade de se alocar mais recursos para os cursos com conceitos abaixo da média. Em 1998, o tema foi discutido pelo Professor Breno Grisi (UFPB) no livro 'Perspectivas do Ensino de Pós-Graduação no Brasil'.

Veremos agora se dessa vez esse manifesto ecoará...

Leia a carta na íntegra aqui.

Referências

Gibbs, W.W. Lost science in the third world. Scientific American, v. 273, n. 2, p.76-83, 1995.

Grisi, B.M. O Currículo do Pesquisador e suas Chances de Sobrevivência Científica no Brasil. In: Paz, R.J. (Org.). Perspectivas do Ensino de Pós-Graduação no Brasil. João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 1998. p.97-103.

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